A Justiça do Distrito Federal condenou o responsável por divulgar fotos dos cadáveres de Marília Mendonça e Gabriel Diniz à prisão, na última quarta-feira (27).
Segundo o jornal “O Globo”, o rapaz, que confessou os crimes, foi considerado culpado por vilipêndio a cadáver – o ato de tratar sem o devido respeito a pessoa morta ou suas cinzas -, divulgação do nazismo, racismo e xenofobia contra nordestinos, uso de documento público falso, atentado contra serviço de utilidade pública e incitação ao crime.
O homem, inclusive, já estava preso desde o dia 17 de abril, após ser rastreado pela divulgação do conteúdo que deveria ser sigiloso.
Na sentença, o juiz Max Abrahao Alves de Souza, da 2ª Vara Criminal de Santa Maria, afirmou que o responsável pelos crimes agiu com a intenção de “humilhar e ultrajar” os famosos.
“A natureza das fotografias expostas e os comentários realizados pelo réu através do seu perfil na então rede social Twitter demonstraram o inequívoco objetivo de humilhar e ultrajar os referidos mortos, cujas imagens invocaram grande apreço popular, circunstância que comprova o dolo inerente ao tipo penal”, avaliou o magistrado.
E ressaltou: “Após estas considerações, é seguro concluir que o acusado, com vontade livre e consciente, vilipendiou os cadáveres de Marília Dias Mendonça e Gabriel de Souza Diniz”.
Além disso, o autor dos crimes foi condenado por fazer uso de símbolos do nazismo no Twitter, além de ter compartilhado ofensas contra nordestinos, chegando a chamá-los de “escória” e sugerir que as pessoas do Nordeste fossem mandadas a campos de concentração.
O criminoso também atribuiu à miscigenação de culturas e nações a destruição dos povos.
O homem foi condenado a 8 anos de reclusão e a 2 anos e 3 meses de detenção. O cumprimento da pena, a princípio, será no regime semiaberto.
O crime
Os registros do corpo de Marília, que eram exclusivos do inquérito policial, começaram a ser compartilhados em grupos de WhatsApp em abril deste ano.
A Polícia Civil do Distrito Federal, então, abriu uma investigação e chegou ao nome do suspeito, um morador de Santa Maria, também no DF.
Ao ser interrogado, o homem confessou a divulgação do conteúdo nas redes sociais.
Com isso, o MPDFT – Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – abriu uma denúncia contra o responsável.
Marília Mendonça, vale lembrar, faleceu em virtude da queda do avião em que estava, em 5 de novembro de 2021.
Gabriel Diniz, por sua vez, também perdeu a vida quando a aeronave em que estava caiu, em 27 de maio de 2019.